MASMORRA
Em sobressalto: uma aflição sem fim, por dentro. Por fora tudo reluz, ainda que seja uma luz falsa. Reluz, com a mesma força da hemorragia da tristeza de dentro. Este sou eu na masmorra de mim. Mateus/17/Bahia

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+ Infinito particular

Você entrou em mim
Nos meus armários
Cheirou minhas roupas
Abriu minhas janelas
Para o sol entrar

Você entrou em mim
Debaixo do meu chuveiro
Vendeu meus riscos
Se fez poesia
No meu infinito particular

O café mais amargo, as palavras mais agoniadas. Um dia sem teu sorriso, é um dia cinza.
Aceite meu pedido de desculpas. O primeiro do primeiro e último erro.

O café mais amargo, as palavras mais agoniadas. Um dia sem teu sorriso, é um dia cinza.

Aceite meu pedido de desculpas. O primeiro do primeiro e último erro.

+ Deixa a tristeza pra domingo…

…que vem.

+ "Saí só
Fazia sol
Só não aqui
Aqui dentro chovia
Vinha meio assim
Como um temporal
Espantando o sol de mim"

— Mateus Tourinho


+ Carta espontânea de uma quinta-feira à noite

Isso daqui pode soar meio nada-com-nada, mas pra mim é como tudo-com-tudo-e-mais-um-tanto.

Eu não sei apontar quando começou toda essa implosão. Mas posso te dizer os sinais que me despertaram à esta posição eufórica. 

Nota extra 1: Odeio listas, então, espero que não fique parecida com uma.

“Eu estou te olhando com meu olhar de caça, você não percebeu?” esse seu olhar… um tiro certeiro, atento, guloso, firme, QUENTE (assim mesmo, em caixa alta). Incondicionalmente viciante, eu realmente não soube me pôr em defesa ao teu infalível ataque.

Tua boca (essa que não merece apenas um tópico numa carta tola, mas sim uma poesia inteira). Lábios delicadamente desenhados, movimentos ferozmente realizados.

Tua voz aveludada-verde (abrindo um parêntese para rir dessa minha mania de colorir tudo). Trazendo à tona o clichê: música para os meus ouvidos.

Tua disponibilidade à mim, onde posso “sublistar” as ligações em que perdemos horas, ou melhor: ganhamos horas, falando tudo, nada, calando, ouvindo sua respiração, sentindo teu silêncio, apreciando esse contato segundo por segundo.

O teu coração, que faz jus a essa tua beleza incrivelmente admirável e encantadora, cheio de espaço e coisas lindas. Mesmo você tentando esconder, qualquer um que se disponha a te conhecer melhor, vê. E eu sou grato por me mostrar com tanta clareza.

Nota extra 2: Eu sei que essa pode ser mais uma carta jamais entregue, mas que se dane, é um jeito particular de transbordar.

Posso dizer que tô hipnotizado e não é pouco. Não estalem os dedos, por favor, não ousem me tirar desse transe, tô bem assim. E mesmo que, no final, eu termine como das outras vezes (mais um parêntese para mostrar a minha precaução), não quero nem saber! Nunca me senti tão excitado e extremamente feliz por estar tentando. Nenhum outro garoto me fez sair desse plano real. Mesmo que eu volte à realidade com machucados, não irei me lamentar.

Estou em alta-velocidade e não vou pisar no freio. Não agora.

Nota extra 3: Acidentes acontecem e ferimentos são consequências, em muitos dos casos.

Estou implodindo de paixão, em 09/05/2013.

Mateus Tourinho

+ Essa ferida, meu bem, às vezes não sara nunca, às vezes sara amanhã

Um texto sobre você teria que cobrir meu corpo inteiro com palavras. Já um texto meu cabe nas suas entrelinhas. Você não cabe nas minhas, e eu sobro nas suas. Sempre coube em espaços pequenos, do útero materno ao seu coração poético. O problema é que eu tive que sair dos dois e não consigo mais encarar esse mundo gigante com a força que nunca tive. Me contive na palma das suas mãos porque era mais seguro. Me limitei às ondas sonoras da sua voz porque queria morrer contigo. Só que desabei primeiro, sempre termino em ruínas, juntando os pequenos pedaços de mim, e você sabe, que um minúsculo átomo é o início de uma bomba nuclear. Falo pouco para um dia explodir com todas as palavras que não te disse, e, acredite, ontem seu nome escorreu pelos meus olhos. Acho que estou cheia de você. Meus olhos viraram tempestade, e eu chovo todos os dias. Essa chuva ácida que é cheia de saudade e vontade. Não vai fazer Sol amanhã. Nem depois. Drummond tinha razão.

+ Se queres um texto reconhecido, não implore, seja verdadeiro nas linhas. E espere. É feio se humilhar por reblogs.

+ "Se em prosa te espero, em verso te chamo. Para que numa frase qualquer a gente se esbarre e, nas entrelinhas seguintes, nos amemos continuamente."

— Mateus Tourinho


+ "Que um segundo seja infinito
Infinito
Como aquele segundo em que me olhou
Um segundo incomum
Com ares de sessenta, até seiscentos
Como se os segundos fossem minutos
Um segundo que mais pareça uma hora
Até que uma hora a gente perceba
Que os segundos versejam
Como aquele segundo em que me olhou"

— Mateus Tourinho


+ Você é um abismo, coração,

que me acusa de ser tão frágil quanto a pena que quase não tem estrutura para a queda e insiste em cair. Você é um abismo, coração, com um fundo que não é fundo, que é uma ameaça de fundo porque o fundo em si nunca vem, com um fundo que não é fundo, repito, que me observa e sente o peso das minhas asas desajeitadas. A leveza e insanidade das minhas costas, cortes, cartas. O que não condiz. O que realmente não condiz. Entre os teus olhos e o que sou, entre o que sou e os teus olhos. O que tem medo e avança. Ou o que lança sem forças.

(A minha lança entra em teu músculo e tem a aparência de um arranhão, mas a gente se desajusta muito além da superfície, no corpo e no sangue, no cerne, como dois cervos em batalha constante e pureza maior ainda).

(Nosso pulso é puro, é origem, é natureza; e somos puro pulsar).

Você é um abismo, coração, e me acusa de ser mais Apolo e menos Dionísio, e eu sorrio triste achando uma graça melancólica na afirmação, porque eu queria ser mais êxtase nas curvas e menos ênfase nas retas. Menos base, mais desestrutura. E sinto a nossa, não tua ou minha, a nossa contradição: pelo teu tapa na minha racionalidade, pela minha racionalidade que há muito foi estapeada.

(Pelos teus dedos que me querem carinho, mesmo na raiva, e pelo meu choro que também não se importaria de ser uma dor mais física e menos metáfora).

(Mas somos tão maiores ou tão menores, em escalas que ou são avessas ou não são: o conotativo da palavra, o silêncio absoluto).

Você é um abismo cortando o mundo. Um mundo dentro do mundo, um risco dentro do mundo. Com mil riscos que te traço entre os sinais do rosto, do peito, das costas. A marca que faz da terra a real terra, e que me vê no céu, que me vê na queda sentimental em tua direção. Em tua inclinação. Em tua rota.

A tua solidão é um mundo sob duas camadas. Noites assim são necessárias, coração, é a isto que chamam de abuso da entrega. É um perigo que a gente corre, “um mundo que nos empurra para morte”, como diz teu cheiro em minhas mãos e toda a tua caligrafia feia. A mão que te salvaria estando a dois centímetros do caixão, a boca que chuparia a água dos teus pulmões, o rim que se oferecia para substituir o teu, as lágrimas que cobririam os teus olhos secos ou molhados demais, a chuva, a música, o cigarro, o álcool, o que te despertasse: eu não preciso te dizer o final dessa frase, preciso? Você sabe quem são. Quem sou em toda a história.

Você é um abismo, John. E, calada, eu nunca recuei diante de vertigens. A única coisa não distorcida, embaçada ou entorpecida é que te sinto, fugindo do verbo e passando pra carne.

Eu entendi a palavra das 2h19 às 4h da manhã. Perdoa o atraso, coração. Você entende que o tempo é relativo? Para a queda, para o abismo. Para o meu Apolo, para o teu Dionísio.

(Reza a lenda que, unidos, somos a arte trágica dos gregos).

(S’agapo).

Claudia

+ "Amar-se, como se amar fosse mar, assim, infinito."

— E viver bem consigo, assim, sorrindo.


+ "É nesse chão inflamável que costumo pisar. Como numa corda bamba meus pés devaneiam inseguros por aí, sem rumo, sem informações, quase sem amor. Quase. Se não fosse aquela coisa que vocês chamam de fé, não mais insistiria nisso que é a minha vida. Algo me diz, mesmo que eu ache uma tolice, que o que é meu, por direito, está guardado. E lá vou eu, de olhos vendados, mãos atadas e pés desnorteados seguindo. Sempre em frente."

Um desabafo aleatório, Mateus Tourinho


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